POLÍTICA DE PRIVACIDADE E COOKIES

Utilizamos alguns recursos para entender o que nossos clientes tem interesse e melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.

Entendi
Influência Jovem -
Era típico dia paulistano. Na saída do metrô Trianon o vento bate gelado na roupa e eu me enrolo na bandeira do Brasil, tentando ficar um pouco mais protegido. Olho ao redor e vejo nada!
Cadê o pessoal do Orkut? Será que eu desci do lado errado da Paulista? Olho para o painel e está lá: dia 5 de setembro de 2007. "É hoje sim, oras", penso.
Ando até a metade do quarteirão e reparo um amontoado de pessoas embaixo do vão do MASP. Uma meia dúzia de gatos pingados com algumas faixas de protesto. Várias delas com máscaras, inclusive dois "figuras" usando máscaras do Roberto Jeferson e segurando uma faixa escrito "Fora PT e seu bando de corruPTos".

Eu estava bastante incomodado. O que era para ser um protesto em massa, de revolta contra um sistema de corrupção assustadoramente escancarado, não passava de um aglomeradinho de pessoas indignadas, cujo montante não faria sombra ao Elvis Presley do quarteirão em frente ao Conjunto Nacional, e sua viola performática com os clássicos do rei do rock'n'roll.

Fazia algum sentido aquilo ali? Fazia alguma diferença eu estar ali, passando frio, carregando uma bandeira que parecia não ter valor algum para o resto do mundo ao redor? O que eu fizesse ou deixasse de fazer naquele momento não teria o mais insignificante impacto na rota da política do país. O presidente Lula não seria afastado, quanto mais preso; o sistema de propinas seria aperfeiçoado e o mundo continuaria idolatrando a máquina publicitária lulo-petista, à base de manifestações gigantescas, organizadas por sindicatos milionários e seus militontos movidos à mortadelas.


As pessoas começaram a se mover para tomar a pista no sentido oeste, a de frente para o museu. E quase, nem isso, mas pareciam felizes por estar lá. Era a minha primeira manifestação e eu estava com uma vergonha danada de participar de algo tão minúsculo, ridículo até. Parecíamos formigas tentando atravessar uma avenida, um punhado de nadas contra o universo literalmente, indiferente. Senti vergonha e parei na ilha, no meio da pista. Precisava decidir se valia a pena continuar com eles ou se voltava para a minha casa quentinha e meu sofá, onde teria um café com leite quente nas mãos e veria o noticiário pela televisão, provavelmente rindo, por não terem noticiado os tontos ali na "manifestação" passando frio. Se é que era uma manifestação, pois deve ter um número mínimo obrigatório para ter essa denominação, ou poderia ser apenas outro Elvis que estivera lá, acompanhado de seu séquito de fãs.

Foram apenas alguns segundos, não deu um minuto para ser mais exato, não mais que isso, e a turma toda passou por mim. A lógica empurrava meus pés para casa mas meus pés não se moviam. Por algum motivo, a ordem de ir embora não chegava até eles, permaneciam voltados para aquele pequenino grupo que ia enfrentando o mundo como se fossem 9 mil atenienses marchando contra os 30 mil persas na praia de Maratona - "Não tem lógica, cáspita!", pensava. Aqueles gregos de 2.511 anos atrás também sabiam que não era racional mas, mesmo assim eles foram. E foi olhando nos olhos daquelas pessoas ali que eu compreendi.
 

Não era pela lógica, era pela razão.


A luta pela verdade é a única luta digna de batalha, a bandeira da verdade é a única bandeira digna de ser empunhada. Não importam as adversidades, a apatia alheia ou o que "todo mundo pensa", o errado será sempre errado e se você defende o que é correto, nenhuma adversidade terá magnitude para te impedir de fazê-lo.

Passados 14 anos daquele congelante pré-Dia da Independência, nos três quilômetros das oito faixas, em ambos os lados daquela mesma avenida, catorze carros de som receberão milhões de pessoas do país inteiro, com a mesmíssima indignação e pelas mesmíssimas razões que motivaram aquelas três dúzias original: lutar pelo que é correto.

Se você gostou desse artigo e quer receber conteúdo deste tipo mensalmente, 
cadastre-se na nossa newsletter clicando AQUI

Deixe seu comentário

Tags

BLOG RELACIONADAS

Gostou do que viu aqui? Então com certeza você também vai gostar de nossas outras matérias (difícil vai ser você escolher qual a sua preferida depois, mas ok, você que lute). Clica aqui e confere, vale a pena!

Influência Jovem - Cinco anos sem Fidel Castro

Cinco anos sem Fidel Castro

Novembro de 2021

Influência Jovem - Kyle Rittenhouse e  a sensação de que ainda há justiça!

Kyle Rittenhouse e a sensação de que ainda há justiça!

Novembro de 2021

Influência Jovem - CADASTRE-SE EM NOSSA NEWSLETTER:CADASTRE-SE EM NOSSA NEWSLETTER: