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Influência Jovem -

No dia 24 deste último mês de julho, terroristas incendiaram a estátua de Borba Gato localizada no bairro de Santo Amaro em São Paulo, digo terroristas porque não há outro termo apropriado para pessoas que incendeiam pneus com o intuito de destruir patrimônio público, isto não só poderia acarretar destruição da estátua, mas também polui a cidade e ainda ocasiona danos de saúde aos transeuntes. Fico me questionando: onde fica a preocupação com as queimadas? Ah, já que não é a Amazônia podemos tacar fogo?

 

Vandalismos sempre existiram na sociedade, mas a novidade agora é que há quem defenda este tipo de coisa por ser um “vandalismo do bem”. Há a ideia que determinados personagens merecem ser eliminados e outros não, e assim vão apagando e destruindo a nossa história, na verdade, não apenas destruindo, mas sim, a reescrevendo da forma que interessa a estes agentes da destruição, tal como narrado no livro 1984 de George Orwell. “Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado.”

 

Curioso que o mesmo padrão moral não se aplica a determinados “escolhidos” dos justiceiros históricos, a justificativa para “apagar” Borba Gato da história é que ele não merece ser lembrado porque era um genocida e escravocrata. A pergunta é: este padrão aplica-se também a Che Guevara, ao Zumbi entre tantos outros?

 

Mas quem foi Borba gato?

 

Manuel de Borba Gato foi um bandeirante que nasceu em 1649 na cidade de São Paulo, casou-se em 1670 com Maria Leite, filha de Fernão Dias Paes Leme (1608-1681), o chamado caçador de esmeraldas. 

 

Antes da descoberta do ouro na região das Minas Gerais, já existia ouro descoberto no Brasil. No século XV, cerca de 150 minas já eram exploradas, em São Paulo havia mina no morro do Jaraguá e na região onde hoje fica o aeroporto de Cumbica, entre outros lugares e por isso, a primeira casa de fundição foi localizada em São Paulo, mesmo não havendo uma quantidade expressiva de ouro.

 

Com o declínio do ciclo da cana de açúcar e a queda do faturamento vindo de outras colônias, Portugal resolveu intensificar a procura de minas no Brasil, incentivando os paulistas a entrarem para dentro dos sertões. Os paulistas foram os escolhidos para estas expedições por já se localizarem mais ao centro, pela miscigenação e conhecimento dos caminhos e hábitos indígenas e pela disponibilidade de rios que os levassem na direção do interior.  

 

Em 1674, Fernão Dias teve autorização da coroa portuguesa para partir atrás das minas de Sabarabuçu, que era uma lenda indígena incorporada aos desejos dos bandeirantes. Borba Gato participou do empreendimento do sogro. Ficaram 7 anos em busca de ouro e esmeraldas pelo sertão. Em 1681 morre Fernão Dias e Borba Gato segue a busca, tendo encontrado ouro e iniciado a exploração.

 

Em 1682, com os boatos das descobertas de importantes minas de ouro, foi designado um representante da coroa portuguesa chamado Rodrigo Castelo Branco para solicitar a localização destas minas ao Borba Gato. Segundo cronistas da época, o bandeirante lançou o representante precipício abaixo, matando-o, e fugiu mata a dentro para evitar a punição.

 

Há relatos que ele ficou escondido na mata durante cerca de quinze anos vivendo em tribos indígena, domesticando os nativos e sendo tratado como se fosse um respeitado cacique.

 

Em 1698, com a ascensão de um novo governador geral do Brasil, Arthur de Sá e Menezes, Borba Gato teve o perdão de seu crime em troca das localizações das minas, tornou-se superintendente geral das minas e tenente-general do sertão. 

Borba gato participou também da Guerra dos Emboabas (1707 a 1709), confronto travado entre bandeirantes paulistas e emboabas (forasteiros que vieram depois da descoberta das minas) pelo direito de exploração de minas na região de Minas Gerais.

Quando faleceu, em 1718, com 69 anos de idade, ocupava o cargo de Juiz ordinário da vila de Sabará. Além de descobridor de minas, foi considerado hábil administrador no fim da vida.

 

E a estátua de Borba Gato?

 

A escultura começou a ser construída no ano de 1957 por Júlio Guerra (1912-2001), artista plástico paulista nascido na região de Santo Amaro, e só foi concluída seis anos depois, em 1963. 

 

Júlio Guerra projetou e iniciou a construção da estátua em seu próprio quintal, optou por não utilizar o bronze, material preferido pelos escultores da época, escolheu para executar o seu gigante argamassa, trilhos e pedras.

Tudo relacionado à estátua de Borba Gato impressiona, são 10 metros de altura (ou treze se considerar seu pedestal), peso de 40 toneladas e trilhos de bonde para sua estrutura.

 

Contrariando o que muitos pensam, a Estátua de Borba Gato não é revestida de pastilhas, e sim coberta de pedras. Esta informação era algo que o escultor fazia questão de lembrar, já que todas as pedrinhas foram quebradas por ele mesmo para serem colocadas no monumento. As pedras vieram de vários cantos do Brasil e do mundo: As do rosto vieram de Portugal e são fragmentos de mármore rosado, as que estão no gibão vieram de Ouro Preto e Congonhas em Minas Gerais, além de mármore branco paranaense.

 

A obra foi encomendada para ser inaugurada em 1960 ocasião que Santo Amaro, o bairro, ex-cidade, iria celebrar o seu IV Centenário. Porém, em 1958, a morte de um de seus filhos, Jairo, iria fazer com que a obra atrasasse um pouco.

Júlio Guerra tem outras obras espalhadas, especialmente pelo bairro de Santo Amaro, porém, de todos os seus trabalhos, a sua obra mais conhecida é também a mais polêmica.

 

Se por um lado os bandeirantes são retratados apenas como aprisionadores de índios, por outro, foram os responsáveis por desbravar o sertão brasileiro, aumentando nossas fronteiras, muitos deles eram inclusive filhos de índios. Por fim, a verdade é que a história é feita por homens com suas forças e fraquezas, defeitos e virtudes, aprisioná-los todos a um conceito, julgá-los e apagá-los das memórias não é a solução para os problemas, aliás, só contribui para que esqueçamos nossas raízes, tornando-nos mais vulneráveis a quaisquer forma de manipulação e imposição de idéias.

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