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Influência Jovem -

Essa pergunta não serve só para o funcionário do prédio saber qual andar você irá, mas pode ser o ponto de partida da maneira como lidamos com uma tela em branco, antes de escolher a paleta e os pincéis. É claro que é uma definição muito superficial, mas caso encontre uma pessoa que não sabe por onde andar, podemos apresentar a ela duas das formas que encontramos ao estudar a história das artes.

 

Existe um estilo mais clássico, que transforma o simples em precioso. As coisas simples do cotidiano, pessoas, objetos sem valor, que servem de exemplo para mostrar a grandeza do ser humano e o valor da vida, respeitando a ordem natural. E tem o estilo mais moderninho, que pega tudo o que é fundamental para o homem e rebaixa ao nível do ridículo, colocando como questão prioritária o efêmero, o instantâneo e o superficial.

 

As últimas vanguardas trocaram a forma como enxergamos a arte e fez com que certas questões fundamentais ao homem não estivessem presentes nas obras. É preciso ter cautela quando abordamos esse período da história porque não podemos resumir tudo a mera rebelião de artistas, cada um partiu de um ponto diferente e conforme as décadas foram passando houve um certo alinhamento do que podia ou não ser considerado arte. Uma coisa é certa, a arte reflete o espírito de uma época, e isso não seria diferente num período de grandes transformações.

 

Como pensar em preservar tradições e costumes quando lemos autores que afirmam não ser mais necessária a fé, que o homem é soberano e tudo deve ser balizado pelas fórmulas matemáticas e o ódio ao contraditório? Traia sua mulher, encha a cara e se preocupe com o agora, agora, agora, só o agora importa e o amanhã a gente vê depois. Viva na batida de um viciado em pó e entenda a brisa das performances de artistas que lembram mais os rituais satânicos da antiguidade. A cultura pode moldar o comportamento das gerações futuras, mas no caso das artes plásticas podemos abrir uma exceção e colocarmos no fim de um processo, como resultado de um experimento social que muda a percepção humana e é apresentada ao público em forma de exposição. É algo parecido com os desfiles da São Paulo Fashion Week, onde as modelos desfilam com coisas estranhas no corpo e chamam aquilo de tendência para a próxima estação. Os estilistas pegam a essência e desenham suas peças inspirados nas marcas italianas, para no final o pobre comprar uma calça toda estourada, parcelada em doze vezes mas se sentindo O Modernão.

 

Esse conceito de chocar não se sustenta por muito tempo e é preciso arrumar outra coisa nova para se odiar. Já a  beleza não precisa de justificativa porque é autêntica, as formas de representar podem mudar mas o norte é sempre o mesmo. Uma das minhas pinturas favoritas e que mostra como uma coisa simples pode nos fazer tão bem é a Batalha do Avaí de Pedro Américo.  Toda vez que ia ao Museu de Belas Artes procurava observar o canto inferior direito daquela tela, onde uma vaquinha parece pular para fora, fugindo do combate. A forma como ele conseguiu expressar o sentimento daquele animal numa situação extrema é tão magnífica que eu nunca poderia pensar em algo parecido se olhasse para as vacas do pasto daqui do meu bairro.

 

 A arquitetura da destruição quer acabar com o que veio antes, com a promessa de algo melhor para o futuro, enquanto as obras criadas através do equilíbrio vão projetar suas ideias com aquilo que já deu certo, preservando a essência e incentivando a criatividade de se fazer mais com o mesmo. Geralmente a desculpa que dão é pela questão das tão famosas "minorias", que na verdade transformaram o atelier num regime totalitário. O artista sempre pintou com o que tinha em mãos, não importa se fosse uma fruta tirada do pé ou uma prostituta que interpreta a vênus, e mesmo que ele usasse um pigmento raro  encontrado apenas no oriente ele sempre tinha um pé na sua realidade. É fato que várias foram as ocasiões onde a obra causou certo impacto social pelas escolhas do pintor.

 

O que fizeram com a arte é um crime com requintes de crueldade, porque eles usam o prestígio dos grandes artistas para validar suas aventuras. O que no renascimento foi a associação da arte com a poesia para se afastar dos artesanatos, hoje é a aproximação da estética bizarra com os adjetivos dados aos mestres em detrimento do que é considerado bom. Isso faz o público perder o interesse. O espectador não conhece mais o que é belo e não gosta do que lhe vendem como arte, e naturalmente o número de espectadores cai até o ponto em que estamos hoje, à margem da sociedade.

 

Ainda existe salvação para o estado de caos ao qual nos encontramos, e a solução pode estar bem na frente dos nossos olhos.

 

Pegue uma pintura de paisagem, de preferência uma que foi feita por um artista amador, daquelas que mostram uma casa no sítio e o quintal cheio de verde. Essa arte que é vendida na feira de domingo consegue fazer você parar para contemplar uma imagem que ao vivo você nem daria bola. O mato é o mesmo que pinica suas canelas, a casa é a mesma daquela família que não tem o que comer e o passarinho é o mesmo que batiza sua camisa, mas você para, observa e fica admirado. Como sempre digo, é preciso que vocês entendam que a arte nunca foi só a cópia, ela é acima de tudo a  construção do seu imaginário.  Com a correria da vida nos esquecemos de enxergar a beleza que cada coisa possui e é através da arte que retomamos aos bons hábitos. 

 

O primeiro passo foi dado, agora é só repetir até o momento que estará fazendo isso com tudo que estiver a sua vista.

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