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Influência Jovem -

     É comum ouvirmos das pessoas que estudam a história e possuem o mínimo de decência para a observação do mundo a reclamação de que, a partir do século XX, a arte caminha para o seu fim, liderados pelas vanguardas européias que transformaram o resultado final das obras e por esse exato motivo nada poderia ser extraído delas. Não podemos negar que o que construiu esse pensamento está inteiramente correto, mas o que esquecemos de levar em conta é que a arte é, antes de qualquer coisa, a expressão de um povo e o diagnóstico do ser humano.
    
   Somado a essa nova postura, vemos novas propostas baseadas diretamente nas culturas locais das colônias, que desde de o século XIX ganhou força com as explorações européias, refletindo em obras das vanguardas do século XX; nos temas exóticos e folclóricos do oriente médio e das lendas bárbaras; da arte japonesa que nos estudos de Van Gogh. Segundo o livro Quarenta mil anos de arte moderna, de J.A. Mauduit, o homem teve que abandonar antigos hábitos para sua evolução e substituí-los por outros que suprissem suas necessidades. Voltar  a fazer o que já havia deixado de lado sem um novo sentido nunca foi uma opção viável : " Para cumprir seu destino - primeiramente viver, em seguida reproduzir-se - o animal deve tentar continuamente sua adaptação ao meio que envolve, sob a pena de desaparecer".

      Se levarmos ao pé da letra que toda a mudança é absurda e nada deve ser alterada, não estaríamos usando a internet para os estudos e seríamos membros de alguma comunidade Amish. Seria menos complicado entender a mente de um artista se na formação dos estudantes de arte tivéssemos maior comprometimento com o contexto histórico e a influência sobre a sociedade. A Primeira Guerra Mundial é só um tópico para apresentar o Dadaísmo e os filósofos de décadas anteriores simplesmente não fazem parte das ementas, somos levados a acreditar no que sai da boca dos professores. O aluno sai dos cursos de arte com a ideia de que naturalmente a forma de se representar o mundo estava desgastada e que os artistas buscavam algo mais impactante, excluindo aqueles que optaram por continuar com a  arte figurativa.
     Esquecem os autores de mencionar que existe sim uma importante influência vinda dos pensadores daquela época. Imagine que num curto espaço de tempo a população viu acontecer pela primeira vez um conflito de grande proporção, já que elas aconteciam ali mesmo na sua frente, com suas casas como trincheiras. Em quatro anos, o soldado que usava bicicletas e cavalos passou a pilotar aviões e tanques de guerra, trocou espadas e carabinas por metralhadoras que matavam dezenas de milhares de pessoas num único dia. Além de todo o sangue jorrado nas cidades,  a ideia de que o ser humano é um ser vivo igual a uma planta ou cachorro e que tudo pode e só pode ser explicado através das fórmulas matemáticas, que Deus está morto e que a religião é o ópio do povo. Só o aqui e o agora é o que importa. Depois de levantadas estas questões não fica um pouco mais claro o porquê de tanto horror e caos sobre telas e esculturas? É claro que o que levantei até agora é uma análise fria e sem levar em conta os interesses dos próprios artistas e intelectuais ( principalmente eles) que usaram do seu ofício para benefício próprio a partir da desgraça alheia, do mesmo modo que qualquer agitador de massas, que manipula um povo através de suas questões íntimas para então mudar o todo.

    Por outro lado, os novos meios de comunicação agregaram todo o conhecimento adquirido pelos artistas e aplicaram em seus filmes, quadrinhos e publicidade tudo aquilo que o homem modernista jogou no lixo. Até mesmo os cartazes que mesclavam elementos modernistas à sua estética foram capazes de produzirem bons resultados, já que o intuito era justamente chamar a atenção do público para o que estavam falando, e a beleza é a melhor e maior forma de atrair o olho humano.

   O grande erro das vanguardas foi achar que para representar o real e o caos seria necessário abrir mão do belo e do equilíbrio visual, tendo em vista que ao longo da história temos inúmeros exemplos de histórias sangrentas que foram o combustível para grandes obras. Como resultado de todas essas mudanças ocorridas de forma planejada e maquiavélica foi que, o homem começou a ver com mais seriedade em comparação ao passado, a perder o sentido da vida, a não aprender com os erros, muito menos sentir -se culpado pelo que faz. O que importa é o prazer momentâneo, só a vida material e palpável é possível. Só o caos está além da realidade e a representação distorcida é a única alternativa do pintor modernista.

 

 " A consciência suportará quaisquer vicissitudes inerentes a toda evolução: ela se inflama para se extinguir  desde que o ser encontrou a solução do problema que as novas circunstâncias lhe apresentam, e sua utilidade não mais se faz sentir. Trata-se em suma de uma adaptação do ser vivo ao meio, depois do que, uma vez realizada aquela, desaparece a consciência; este fato leva certos sábios a admitir que, no princípio, os movimentos do organismo, mesmo os do coração e intestinos, eram acompanhados de consciência.

Essas poucas reflexões sobre a consciência nos faz melhor compreender a gênese do psiquismo humano, e de seu reflexo: a Arte. Agindo de certa forma automaticamente segundo as impulsões dos meios, os seres inferiores atravessam a vida como aquele fidalgo da Revolução Francesa, "sem ter esquecido e aprendido", enquanto outros, mais evoluídos, permanecem suscetíveis de tirar proveito das lições da experiência"

 

Continuando o pensamento de Mauduit, sabemos que desde o Homo Sapiens, o criador da arte e o primeiro a modificar a matéria bruta em objeto plástico,  a arte, assim como a vida, caminha para frente.  Talvez Duchamp tenha feito, além de uma piada com o mictório, uma previsão. O artista contemporâneo é o mesmo fidalgo da Revolução que não aprende, e pior, não quer aprender. Se os modernistas chocaram o mundo com suas mudanças, o que pode justificar sua culpa é que pelo menos eles queriam fazer algo baseado no que estava em alta no momento, falhando em quem usaram como inspiração. Atualmente vemos artistas que fazem Cosplay de modernista há quase um século, como se fosse algo inédito querer chocar a sociedade. Ao invés de propor o debate, impõem formas de encarar a vida num ciclo infinito de ignorância e egoísmo, mesmo que só alguns gatos pingados reconheçam sua linguagem. O profeta nos mostrou que o destino da arte era o esgoto.


 

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