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Entendi

Na semana passada comecei o texto perguntando por que você não gostava de arte, hoje começo com uma nova pergunta e já lhe respondo:por que você acha que gosta de uma obra de arte? Porque o artista que a criou provavelmente sabia da necessidade humana de se encontrar no outro e utilizou de técnicas para produzir uma imagem que chamasse sua atenção. Ao contrário dos modernos, não era um egoísta, ele fez a arte para você.
 

Para entender a diferença entre a arte tradicional e contemporânea é preciso saber que antigamente os artistas eram prestadores de serviços e faziam suas pinturas de acordo com o gosto dos clientes. É diferente de hoje, onde o estudo sobre uma técnica ou temática pode ser o fator predominante para a confecção de uma obra. Depois de pronta, estará em alguma galeria e o crítico de arte contribuirá para passar uma imagem positiva, que convença alguns cafonas a desembolsarem uma boa grana nela. Artistas consagrados, como por exemplo Caravaggio, tiveram que refazer pinturas por não seguirem as recomendações de seus mecenas.A arte, como qualquer outra linguagem, para fazer a ligação entre a ideia inicial do autor e o público alvo, usa de figuras conhecidas do olho humano como uma forma de atração. Quando você anula o fio condutor entre as duas pontas a arte torna-se um objeto de estudo científico semelhante aos que os arqueólogos tentam decifrar, sem nenhuma certeza se chegaram a uma conclusão correta sobre sua interpretação.
 

Ao longo da história a arte usou como referência tudo que a natureza pudesse oferecer e o bom artista era aquele que mais se aproximasse do modelo. A partir das primeiras vanguardas, o uso do choque e a desconstrução das formas foi usada como justificativa para representar o inconsciente e o mundo como ele é,  alegando que a arte tradicional teria esgotado suas possibilidades, as novas tecnologias, como a fotografia e o cinema, estariam encarregadas de sua função principal, o registro de imagens. É um tremendo equívoco reduzir a função das belas artes à captura de imagens, já que ela serve principalmente para alimentar o imaginário. O estilo de desenho realista é um recurso que pode ou não ser utilizado. O ato de omitir elementos de uma paisagem ou representar seres que ao olho nu não veríamos é uma mera escolha do artista. Outra desculpa para a destruição da imagem é que a arte não seria capaz de representar a dor sentida pelo homem, principalmente em relação às mudanças causadas pela vida moderna dos grandes centros e a primeira guerra mundial. Temas sombrios e dramáticos sempre foram alvo de artistas e a brutalidade das batalhas nunca foi motivo para deixar de lado o realismo.
 

O sucesso da arte figurativa deve-se ao fato dela estar baseada em questões como a beleza, a bondade e a verdade, que combinados atraem o interesse do público instantaneamente. O equilíbrio das formas causa alívio e deleite à consciência e a busca pelo equilíbrio é tão saudável quanto a alimentação balanceada é para o estômago e o exercício físico para os músculos. Na antiguidade, o uso de imagens em igrejas era usado na catequese dos analfabetos, porque a imagem tem rápida assimilação no cérebro em relação à fala ou escrita e por esse mesmo motivo sua importância era igual ou semelhante à palavra escrita para o clero. Por esse mesmo motivo que uma música chama a atenção e um ruído incomoda os ouvidos, e ao ouvir novamente os dois sons escolhemos aquele que foi construído a partir de regras básicas. 

 

Scruton, em seu livro Beleza, diz que "existe uma ideia encantadora sobre a beleza que remete a Platão e Plotino e que foi incorporada ao pensamento teológico cristão. Segundo ela, a beleza é um valor supremo que buscamos por si só, sem ser necessário fornecermos qualquer motivo ulterior. Desse modo, a beleza deve ser comparada à verdade e à bondade, integrando um trio de valores supremos que justifica nossas inclinações racionais". Não é à toa que uma pessoa sente interesse por uma paisagem instalada na parede de casa e passa alguns segundos em frente ao mictório de Duchamp, porque a arte conceitual é como uma piada ouvida mais de uma vez, que perde a graça e o impacto. A arte figurativa não é coisa de gente ultrapassada e deve ser aplicada ao contexto atual para resolvermos a falta de interesse do público,  pois assim como Nietzsche disse uma vez que Deus está morto e sua carcaça fede pela Europa, é possível afirmar que a arte está morta e sua carcaça fede pelos museus.

Influência Jovem -
Ilustração de Artigiani

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