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Influência Jovem -
(11/nov/2021)

Uma das falácias mais importantes a se desfazer para o bem da pátria brasileira é a do bom juízo da vigilância estatal. Hoje estive numa filial da Drogaria Pacheco para buscar um remédio para acne, caríssimo, que havia comprado online na véspera. É necessária a apresentação de receita médica.

Algum funcionário da farmácia entra em contato sem se identificar (apenas disse ser da Pacheco) e me pede que envie fotos da receita. Sem paciência para ensinar uma empresa de baixíssima competência a melhorar seus processos, simplesmente enviei e recebi a resposta de que poderia buscar o medicamento. Apenas 12 horas haviam se passado desde que comprei e paguei pelo remédio. Exemplar.

Perguntei até que horas poderia passar lá e fui solenemente ignorado. Padrão de qualidade Pacheco, sem dúvida.
Chegando lá fui atendido por um jovem que me lembrou o Moro na voz e um famoso cabelereiro de outrora nos trejeitos. Empoderado, o rapazote analisou a papelada com olhar crítico do vongador oprimido.

-"Agora esse branco cis magro de olhos claros opressores vai pagar um pouco da dívida histórica do racismo sistêmico refletido na matança de negros trans nas comunidades da Zona Sul."
Com o mindinho erguido ele apontou o indicador para uma linha da longa lista de instruções e condições de declarou taxativo que aquela via era a minha e que eu precisava apresentar a via da drogaria. Talvez fosse o formulário carmim, como aprendeu o grande James T. Sullivan, em sua hora de maior stress. Já ia me devolvendo a papelada quando eu respondi, talvez com menos doçura do que o funça estivesse habituado, que a própria empresa havia analisado os documentos e me dito para comparecer ao local.

Por um momento me senti no Checkpoint Charlie em 1970, prestes a ter meus papéis falsificados de trânsito para o lado não-comunista descobertos. Mas não, estava apenas comprando um remédio numa farmácia. Em algum lugar atrás da estante de drogas uma barata tcheca deu uma risadinha mas eu não escutei.

Ao se deparar com aquela declaração um tanto difícil de se refutar o jovem salticorreu (acabei de inventar esse verbo, e já digo que mereço ir para a ABL) para junto do gerente, de onde saiu derrotado e cabisbaixo, vencido pelo capitalismo que já havia por certo devorado a alma de seu chefe, tornando-o imune à beleza da luta identitária balconificada.

Depois disso o sujeitinho me pediu para assinar nada menos que SEIS papéis, e depois tive que acompanhá-lo ao caixa para receber a nota fiscal. Abstive-me de salticorrer, contudo.
Enquanto esperava os 5 minutos até ter finalmente o direito de ir embora daquele antro, pensava que não haveria grande coisa a fazer. A concorrência deve contar com equivalente arsenal de jovens delicados cheios de empatia e sempre prontos a mandar idosos de volta para casa por falta de um carimbo ou de uma via da cor que os agrade. Fazem isso, claro, por se saberem criaturas evoluídas, presas ali atrás daquele balcão por não terem tido seu talento descoberto, ainda.

Mas os palcos de Paris e as meias-arrastão sem dúvida seriam recompensa futura para a indignidade de servir. Sem dúvida. E tais sonhos os levam a voltar no dia seguinte, ávidos a torturar mais algum incauto que tenha que entrar nessas câmaras de malícia que se tornaram as antigamente agradáveis farmácias.
- "Mas, Eduardo, e o Brasil nisso tudo?"

Bem, para cada assinatura daquelas houve um lobista com maletas pesadas conversando com legisladores, políticos e juízes. E o lobista vem da própria indústria, Assim garantem um doce oligopólio para as redes gigantescas de drogarias e uma base de dados fenomenal para a Big Farma.

E o cidadão brasileiro tem que pagar por cada item dessa estrutura vil, obscena mesmo. Por trás disso tudo está uma alma morbidamente obesa, purulenta e viscosa, adequadamente representada desta feita pelo Jabba, lesma gigante de olhos também adequadamente puxados.

Lembrem dessa pequena história quando algum energúmeno declarar que mais uma regra é necessária ou que "alguém precisa proibir/regular/controlar isso".
Fecho essa diatribe com um preemptivo comentário. Não sou libertário, nem liberal. Sou a favor da proibição de drogas nos termos atuais, contra a liberação do aborto e muito mais. Nada é solúvel através de conceitos simples aplicados genericamente de forma infantil por crianças cujas barbas cresceram por decurso de prazo.

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