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Influência Jovem -
11/set/2021

Os processos educacionais devem ser, no ideal, baseados numa relação de confiança total entre o professor e o aluno.
Melhor ainda se houver uma conexão emocional no formato de admiração por um elemento de uma instância superior, como um irmão mais velho ou um tio.


Numa relação de confiança a timidez se esvai e esta é inimiga da exposição da curiosidade bem como da ignorância. Um aluno deve poder errar fragorosamente diante de um professor e após isso rirem, aprenderem ou ambos, dependendo do caso. Uso o plural aqui porque o bom professor está sempre aprendendo sobre o processo cognitivo de seu aluno, sempre observando as falhas na estrutura de conhecimento que devem ser consertadas e as partes abandonadas que devem ser limpas e renovadas. Assim o aluno aprende sobre os temas de domínio do professor, aprende sobre a vida e fortalece não só o intelecto mas a auto-estima e o auto-conhecimento.


Numa aula recente de geometria minha aluna estava com algumas dificuldades. Ao avaliar o problema vi que não lhe foram apresentados conceitos basilares do estudo do círculo. Como é possível aprender sobre um carro sem compreender estruturas, engrenagens, a química da combustão e muito mais? Da mesma forma não é possível estudar o círculo sem entender a relação estrutural expressa pelo número Pi, a praticidade da medida angular em radianos, a beleza criativa dos estudiosos gregos que observaram essa pedra fundamental do conhecimento natural e tanto mais.
Ora, se estamos falando dos gregos e da natureza, que impôs o Pi ao homem, e não o contrário, pular para a formação das palavras é um esforço minúsculo.
Observando alguma dificuldade na conversão de medidas, aproveitei para explorar o rico assunto da utilidade da Matemática e da sua formação e desenvolvimento natural, prático e verdadeiramente coloquial.
Com duas cambalhotas já estávamos na Mesopotâmia, observando fascinados o despertar da Civilização.
Do meio dos rios Tigre e Eufrates fomos observar o cavalo dos rios, o animal mais perigoso da face da Terra.
Dali corremos para os Hipódromos e depois para os autódromos, misturando os radicais dos hidrocarbonetos com aqueles gregos que formaram o nosso idioma.
Embarcamos numa galera fenícia para vender pigmentos a uma jovem grega que não haveria de pagar um dracma a mais na sua conta, não importando o papinho do comerciante.
Depois disparamos para o mundo microscópio da nanotecnologia e a noção de que o infinito pode ser minúsculo, assim como gigantesco.
Tão gigantesco que foi necessário criarmos os anos-luz para podermos lidar com as distâncias estelares em nossa mente. Nesse universo gelado descobrimos o horror do zero Kelvin e sua relação com o menos científico Celsius e com o mais humano Fahrenheit.

Observamos a arbitrariedade do Sistema Internacional e a pitoresca antropologia métrica do Sistema Imperial. Newton deu-nos uma piscadela divertida enquanto subia os degraus de sua torre, preparando a mala para ir desvendar equações do segundo grau na Floresta Negra, lá pelos lados de Heidelberg. Revisitamos a simplérrima verdade de uma simples equação e dos cuidados com a manutenção dessa verdade.
Um deslize e saímos da matemática para entrar na distopia mentirosa dos sofistas. Ângulos e projeções, réguas e quadrantes, compassos e transferidores, todas as armas foram chamadas a campo.

O aprendizado haveria de prevalecer. Sobrou até para uma lata de Leite Ninho, testemunha involuntária do método gráfico de definição do centro de uma circunferência. Estávamos falando do que mesmo?
Ora, eu só dou aulas de um assunto, na verdade. Do conhecimento humano e da maravilha que nos foi legada por tanto gênios, após tanto esforço e sacrifício. Mozart e Bach, Rafael e Michelângelo marcham firmes ao lado de Carlos Martel e Henrique V, fazendo jus aos esforços de Leônidas e Alexandros e tantos mais.


Nessa maravilhosa sinfonia que é o saber humano o melhor a fazer é deixar-se perder sem as barreiras da separação disciplinar. Assim, cada nota fluirá doce e brilhante com todas as suas sutilezas e encantos preservados e ampliados pela reverberação de outros sons, outras belezas, outras histórias. E nós, que somos apenas um trinado da flauta, ou o eco perdido de um tímpano, poderemos seguir na abençoada tarefa de tornar essa obra divina sempre lembrada, sempre apreciada, sempre viva e em movimento.

Pois o que pode o futuro nos reservar então, senão Beleza, Verdade e Bondade?

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