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Influência Jovem -

 

 

Ser culto e conseguir seguidores na internet ao mesmo tempo é uma tarefa que pode parecer difícil aos produtores de conteúdo. Para quem já leu o texto Arte de Direita, postado há algumas semanas aqui no site, já tem uma certa noção de que existem públicos diferentes com uma mesma carência: falta de bons artistas, músicos e escritores. Hoje volto a pensar sobre o tema, só que para falar mais especificamente em como elas são usadas, o   impacto de cada uma, como elas podem trabalhar juntas e ir além dos momentos de tensão a cada It 's Time! postado no twitter.

 

 O pessoal da velha guarda soube aderir ao smartphone para transmitir seu conteúdo e formar a base intelectual dos influenciadores. Porém, os que se arriscam a entregar o material de forma mastigada ao povão acabam imitando a estética de seus mentores, mas afastam quem mais necessita de atenção. Há quem seja contra a abordagem mais descontraída sobre assuntos complexos, preferindo aparecer na frente das câmeras com seu terno, seu charuto e a estante de livros ao fundo, porém seu alcance é mais restrito e não chama a atenção dos jovens. Temas profundos merecem mais cuidado e até pode ser um tiro no pé se mal apresentado, mas é necessário criar algum gatilho que desperte o interesse do garoto que não sai do Tik Tok. Uma obra sem apelo visual (de qualidade) causa o mesmo impacto que os Testemunhas de Jeová do centro da cidade, que cruzam milhares de pessoas por dia como se fossem invisíveis. Não basta entregar um monte de termos em latim no colo de um garoto, o seu déficit de atenção não suporta mais do que um stories do instagram. Não é à toa que tirinhas feitas em poucos minutos tenham mais audiência que um texto de arte como esse.

 

Não adianta remar contra a maré. Fora dos grandes centros não existem museus, espaços culturais, bibliotecas e galerias de arte. Os professores de artes se preocupam mais em “incentivar o olhar crítico das crianças’’. Ainda temos a internet e desde de que não mencionemos certos nomes podemos ter algum respiro. É através dela que vamos chegar até o público final, eles mesmos a usam para procurar o que não encontram nas ruas. Com um ano e meio de prisão domiciliar é natural que o smartphone seja nosso melhor amigo, então vamos ser aqueles que os levam para o bom caminho. Sabemos que se não tomarmos cuidado nós mesmos podemos cair em armadilhas, já que quase tudo que é produzido aqui no ocidente contribui para a formação de garotos sojados. Não se vêem meninos com o tampão do dedo arrancado depois da pelada e não voltam pra casa com o olho roxo, não cortam o dedo com cerol e só assistem aquelas animações onde os personagens são umas amebas. Não é à toa que todo influencer de fala espontânea viraliza nas redes, da mesma forma que as vendas de mangás aumentaram nos últimos anos, já que a cada edição da Marvel e DC um super herói é colocado como representante de alguma minoria. No cinema, nas belas artes e na música já é game over há muito tempo.

 

Se pensarmos em quem financia todo o meio cultural vemos que houve uma mudança na maneira de como se pensar o que é a arte. Antigamente os mecenas sabiam da sua importância,  dedicavam-se ao estudo e patrocinavam os artistas por longos períodos. O que se via em catedrais e palácios era combustível para a cultura popular, que mesclando com costumes locais, faziam chegar indiretamente ao homem comum.  Hoje acontece o contrário, é o afegão médio que se preocupa com a qualidade e paga por financiamentos coletivos e clubes de assinaturas, o que tem seu lado positivo e pode impulsionar através da internet o conteúdo. Mas como todo mundo sabe, são das elites financeiras, políticas, científicas e intelectuais que saem as tendências e comportamentos do futuro. Não há uma grande empresa e instituição de sucesso que em algum momento não vai usar das agendas das minorias para ganhar o prestígio entre seus pares. É através de filmes, exposições, livros e músicas que gradualmente mudaram a forma de enxergar o mundo, a ponto de que uma simples diferença de gosto é motivo para o linchamento público de quem não aceita usar as coleiras do sistema 

 

Os web templários querem salvar o mundo fazendo cosplay dos seus avós pela aparência externa e não pelo conteúdo. O sujeito que só usa camisa de Heavy Metal aparece na live com o terno da Renner, decora o hino da independência e prega virtudes aos seus inscritos é só mais um picareta. O pulo do gato para sucesso no meio cultural será quando essas pessoas entenderem que é preciso ser autêntico para conseguir vencer, assim como seu avô que usa o mesmo chinelo, a mesma camisa social e o Derby no bolso todo santo dia. Seja com terno ou com a camisa do Paraguai, atue dentro do seu ambiente, onde já conheça os atalhos.   

 

Os gregos utilizavam da poesia, do teatro e demais artes porque eram o que de mais moderno havia naquela época, inserindo nelas toda a cultura e valores que consolidaram aquele povo e que foi a base de todo o mundo livre onde nascemos. O que devemos fazer é exatamente o mesmo: pegar as novas e eficientes ferramentas de comunicação e inserir nelas aquilo que nos diferencia de um cachorro que morde o próprio rabo. Sem militância, sem marca d’água ou qualquer referência que beneficie político algum. Se a solução para a restauração cultural é ficar longe de Brasília, por que raios vamos politizar toda a produção de conteúdo do meio conservador? A arte é uma necessidade humana e por si só justifica sua existência, e é o público que deve regular o que é bom e o que é ruim. Qualquer catador de latinha, mesmo sem saber, tem mais sensatez e compaixão para o que faz bem a si mesmo do que qualquer engravatado que se meta na vida pública ou use dinheiro público para comprar seu jatinho. Nunca esqueça disso.

 

Guerra cultural se combate no meio cultural: política é perda de tempo. Não cometa o mesmo erro de quem quer transformar tudo em narrativas que vão beneficiar ou prejudicar A ou B. Me preocupo em servir às pessoas com minhas obras porque é arte e a cultura que nos separam dos chimpanzés. Até o homem das cavernas sabia da importância disso e temos a obrigação de fazer a roda girar na direção certa.

 

Vir aqui e só falar o que pensa não é o suficiente, é preciso agir e pensar a curto e longo prazo. Para quem se aventurar a produzir conteúdo popular tenho algumas dicas que são infalíveis: 1 - use tudo aquilo que provoca reações espontâneas ao espectador, seja a beleza ou humor, não há ideologia no mundo que impeça alguém de reagir instantaneamente aquilo que é verdadeiro; 2 - seja uma espécie de missionário digital e use todas as ferramentas dos aplicativos disponíveis; 3 - pegue um tema do momento, retire a ideia central dele e construa sua obra baseada em grandes nomes das artes, que já falavam sobre a mesma coisa há séculos atrás e que sobrevivem até hoje pela maneira como foram construídas ( o que importa aqui não é se a pessoa vai entender a referência, mas no futuro, quando ela acessar a obra original poderá ter mais facilidade na compreensão graças ao vínculo construído anteriormente); 4 - a mais importante de todas- não espere pelo melhor momento, ele nunca virá se você não começar com o que tem em mãos. Grave vídeos com o celular, desenhe em folha sulfite com caneta bic e pinte com materiais de segunda mão (o público em geral não entende dos processos de criação, o que importa é se conteúdo for bom). Por fim, o que tenho para falar é que trabalhar com arte é uma tarefa que demanda muito esforço, nem sempre as condições são as melhores e nem as pessoas que dizem te apoiar vão estar ao teu lado a todo momento. Faça o que tem que ser feito e não espere nada de ninguém.

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