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Entendi

Inspiração, técnica, treino, perseverança, presente de Deus, vocação, dom, cada um nomeia de uma forma. Se o artista faz por mérito ou por ajuda de terceiros é motivo de dúvida para muita gente. 

Influência Jovem -

Dentro do meio artístico existe um debate que divide opiniões, entre as pessoas que acreditam no talento e as que enxergam no treino de habilidades como a única possível. Nos últimos tempos vemos a segunda opção ganhar mais admiradores e o total desprezo pela primeira opção. As novas gerações tendem a acreditar que ninguém nasce sabendo nada, que somos capazes de fazer qualquer coisa independente do nosso histórico. Dependendo das condições impostas pelo ambiente onde o indivíduo cresce e do suporte oferecido pelo governo pode-se definir se ele será um bom ou mau artista. O sucesso de artistas do passado teria sido por causa das boas condições onde nasceram e da grande desigualdade social que impediu outros a se desenvolverem.

No meu ponto de vista não é possível alguém depender apenas de fatores externos para desenvolver suas habilidades. Seria a mesma coisa como instalar aplicativos de celular no DNA humano, assim como no filme Matrix, onde Neil aprende artes marciais com ajuda de um programa de computador. Todo mundo é bom em alguma coisa, o problema é que muitos passam anos insistindo naquilo que não são aptos ou passam a vida inteira sem identificar seu propósito aqui na terra. É importante saber que nascer com uma aptidão não significa que não precise aprimorar suas habilidades. Fazer arte não é igual a andar de bicicleta, se não praticamos perdemos o traço fino e a mão fica dura.

A questão que envolve tudo isso é mais uma das táticas usadas pelo pessoal que adora cantar Imagine. O discurso da "democratização no acesso à cultura"  neutralizou toda a arte produzida por quem seja um bom pintor e nivelou por baixo o nível dos artistas, permitindo que figuras pitorescas tomassem o lugar de destaque e obrigando os outros a procurarem outras atividades fora dos ateliês. A estratégia suicida de matar quem não se adequa ao vitimismo vai cobrar o seu preço, no futuro onde as novas gerações olharão com desgosto para o que foi feito no século XXI, assim como hoje esnobam o que foi feito séculos atrás.  

Quando tento entender sobre algum assunto mais complicado tenho o costume de fazer associações entre coisas do meu cotidiano, e dessa vez escolhi usar o futebol para chegar a uma conclusão sobre existir ou não o dom na arte. Parece estranho, mas as duas atividades têm muitas coisas em comum. Quando analisamos a biografia de artistas consagrados, vemos que muitos deles eram jovens promessas e saíram de baixo assim como os nossos boleiros, eles conseguiram vencer na vida mesmo com tudo ao seu redor impedindo seu progresso. O professor de história da arte geralmente diz que só os mais ricos podiam estudar, mas ao conhecer a biografia de alguns dos nomes mais importantes nas artes plásticas, vemos que não é bem assim que a banda toca. É claro que muita gente ficou para trás e nunca pode ficar na frente de um cavalete, mas quem conhece a história de nomes como Victor Meirelles, Pedro Américo, Caravaggio, entre tantos outros milhares de artistas sabe que sempre tinha alguém para "dar um jeitinho" se o problema fosse financeiro.  

Voltando para o futebol, temos os garotos que já nascem driblando todo mundo e os caneludos que maltratam a bola. Se não existisse talento, qualquer um poderia ser o Neymar, basta treinar muito. Aliás, se as pessoas que não acreditam em dom tivessem razão, o Brasil não teria ganhado uma partida sequer no futebol, já que 99% dos atletas são de origem humilde e comem o pão que o diabo amassou até chegar à elite do esporte. Como fui goleiro até os quinze anos em um clube de bairro, pude ver com meus próprios olhos que só o esforço físico e a disciplina não foram suficientes para sair do nível amador, mesmo treinando mais que todo mundo. 

Dentro da universidade a norma é ser crítico a tudo, mas fora das salas de aula e longe de pressões é comum ver elogios quando se faz algo belo. No meio artístico é possível ver reações espontâneas, geralmente vindas de pessoas que estudaram em círculos diferentes. O dançarino elogia o pintor, o ator elogia o escultor, o pintor elogia o cantor e por aí vai. Quando voltam para as rodas de conversa e os seminários tudo volta ao ''normal'', voltam a dizer que beleza é uma construção social e o talento é nada mais do que aprender algumas técnicas. 

Não sou do time que acredita só na inspiração divina. Não basta só ser bom em algo para que chegue ao ápice da carreira, é preciso suar muito. O dom é o ponto inicial, é o que nos desperta para a vida e o que nos faz manter o foco, porque quando você sabe que tem algo de especial é sua obrigação buscar aprimorar sua performance. No caso da arte, é fundamental para o artista saber que seu ofício pode transformar positivamente a vida de muitas pessoas com a beleza das obras que produz. 

Todos podemos começar do zero, aprimorar habilidades e até conseguir relativo sucesso profissional. Mas não é todo mundo que faz um gol na final da copa, nem pinta um quadro que se torna ícone na história da arte. São aqueles 10% do dom de alguns privilegiados, que se complementam com os 90% de transpiração e os colocam acima da média, acima dos invejosos que não querem fazer-nos acreditar na existência da vocação.

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