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"Esse grau baixíssimo de confiança escancara a necessidade de reformas profundas, que requerem uma nova constituição."

Influência Jovem -
O regime republicano no Brasil mantém uma triste coerência: a falta de visão de longo prazo. Uma classe dirigente bem preparada faz uma enorme diferença.
A lenga-lenga marxista nos diz que a classe social dominante cuida só de si. No capitalismo, a burguesia explora o proletariado. Um bom contraexemplo foi o que ocorreu com os EUA e o Brasil em matéria de distribuição de renda. Hoje, os 10% mais ricos do Brasil engolem em torno de metade do PIB.  Nos EUA, esta fatia cai para cerca de 25%. É fácil demostrar quem fez a coisa certa.
Uma visão míope poderia pensar que os ricos brasileiros seriam até mais abastados do que seus pares americanos. Na média, isso não é fato. O PIB dos EUA, de US$ 20,4 trilhões, em 2018, é seis vezes maior que o nosso, de US$ 3,4 trilhões. Portanto, o bolo que representa o nosso PIB é 1/6 do americano. Ter metade desse pequeno bolo deixa os ricos brasileiros em posição muito desfavorável em relação aos ricos americanos, que têm ¼ de um bolo 6 vezes maior. Em outras palavras, são muito mais ricos do que os nossos ricaços em termos absolutos. Uma distribuição de renda inteligente e um processo educacional de boa qualidade prepararam o americano médio para uma vida produtiva. O Brasil republicano não fez nem uma coisa, nem outra.

Um artigo e uma entrevista publicados no Globo, de 28.09.2021, nos fornecem elementos importantes para constatarmos a incapacidade crônica da classe dirigente republicana brasileira em defender seus interesses com visão de longo prazo, vale dizer, com um enforque inclusivo. É algo estranho no sentido de boicotar a si mesma, achando-se muito esperta.

Iniciemos pelo artigo “A pobreza dos ricos”, de Edu Lyra, que está à testa do programa “Gerando Falcões”, focado em abrir espaço para novas lideranças em comunidades esquecidas pelo poder público. Ele nos fala de sua atual experiência em Nova York em sua luta pela inclusão social, onde conheceu Vic Muniz, artista brasileiro mundialmente admirado. Em sua obra, ele faz a proeza de extrair beleza daquilo que a sociedade rejeitou – seu lixo. Ao lhe perguntar como seria um museu da pobreza, Vic devolveu a bola, indagando: “Qual pobreza, a do rico ou a do pobre?”. Afinal, nem toda riqueza se expressa em cifrões. Elas podem ser de outro tipo. Experiências, por exemplo.

Edu Lyra nos fala de um bom número de ricos do Patropi que se vale de seguranças, carro blindado, moradias em condomínio fechado, e que não faz uso de metrô ou coletivos por não se sentirem seguros. Uma vida desconectada da população em geral. Ele bate na tecla da redução substancial da desigual-dade, que passa pela redistribuição da renda. A saída, em sua visão, bem diferente da marxista, é ricos e pobres trabalhando em cooperação para que a pobreza seja artigo de museu. Mais ainda: a convivência de ricos e pobres fará com que ambos deixem de ser pobres – um de recursos, outro de experiências.

A entrevista foi a de Alfredo Setubal, presidente da ITAÚSA, a holding que controla o Banco Itaú, mas que também tem participações em empresas como Alparcatas e Dexco. Para ele, os empresários querem renovação. Nem lula, nem Bolsonaro. A parte mais importante da entrevista é aquela em que ele vai no fígado: “Não dá para ficar brincando de fazer política. Em termos relativos, o Brasil andou para trás em tudo nos últimos 40 anos”. Exatamente como alertei no meu artigo “Risco de mais décadas perdidas”, no Estadão, de 21.06.2016.

Setubal ainda nos fala da salutar oposição das atuais instituições ao discurso golpista do executivo federal. Elogia a postura da imprensa, do Congresso, do judiciário e da própria sociedade civil organizada nesse combate necessário ao velho erro. Mas ignorou o desencontro entre povo e classe dirigente revelado pelos resultados da pesquisa do Datafolha, publicada três dias antes, em 25.09.2021 sobre a confiança popular nos poderes e nas instituições. A pesquisa revelou três tipos de respostas dos consultados: confia muito; confia um pouco; e não confia.
As respostas cobrem períodos diferentes. O primeiro grupo (Presidência da república, STF, Congresso, Partidos Políticos e Imprensa) traça um quadro que vai de 2012 a 2021. O segundo (Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas e Grandes Empresas Brasileiras) cobre um período menor, de 2017 a 2021; e as Redes Sociais retratam o que ocorreu entre 2019 e 2021.

O resumo é que a confiança da população nos poderes ditos republicanos e nas instituições caiu de um patamar já muito baixo. Pior: a resposta de quem confia muito oscila numa faixa preocupante de 15 a 18% com uma única exceção de 37% referentes às Forças Armadas, mas com pouca confiança ou nenhuma nelas de mais de 60%. De um modo geral, o retorno de quem confia pouco e não confia soma mais de 80%, percentual altamente preocupante. O caso dos Partidos Políticos e Congresso, em setembro de 2021, merece registro à parte. A confiança plena é baixíssima, na irrisória faixa de 3 e 4%, respectivamente. O STF goza de confiança plena de apenas 15% dos pesquisados, sendo que 38% não confiam e 44% confiam um pouco. Trágico.

Edu Lyra traça um diagnóstico objetivo da situação e propõe mudanças pé no chão a serem implementadas. Alfredo Setubal analisa com perspicácia a situação, mas não toca na questão central da dupla ausência de confiança popular nos poderes constituídos e nas próprias instituições. A correta resistência, já mencionada, dos atuais poderes e instituições contra o golpismo e a favor da legalidade, infelizmente, não significa que eles sejam detentores da confiança popular. A construção de um grande país não pode ter como alicerce a desconfiança dos cidadãos.     

O grande jurista e político San Tiago Dantas afirmava que “o povo brasileiro como povo é melhor que a elite como elite.” Faltou apenas o adjetivo republicana após a palavra elite. Mas o conteúdo de sua mensagem estava certo. Os resultados da pesquisa do Datafolha deixam claro que o povo não se deixou enganar. Esse grau baixíssimo de confiança escancara a necessidade de reformas profundas, que requerem uma nova constituição.
 
(*) Autor de “Revele-se Empreendedor – Os segredos de quem faz acontecer”. Acesso em edição digital na internet, ou impressa, em vendas@linodigi.com.br

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