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Entendi

"A exemplo da escravidão, a pornografia é a negação do sujeito humano, uma forma de ignorar a exigência moral de que os seres livres se tratem como fins em si mesmos."

Influência Jovem -

O trecho do livro Beleza, escrito por Roger Scruton, foi o ponto de partida que escolhi para falar sobre um tema muito discutido dentro dos círculos de estudos da academia: a objetificação do ser humano, com ênfase na figura feminina onde, segundo eles, a mulher foi retratada ao longo dos séculos como um objeto sexual e abaixo do homem em grau de importância. A produção atual, que gira em torno da desconstrução de valores e a promoção de artistas de acordo com o que tem dentro das calças e da mente, seria uma alternativa à " cultura do estupro, da sexualização da mulher e da masculinidade tóxica que obriga os homens a serem o que a sociedade impõe".

Antes de qualquer coisa, saiba que é difícil comparar a arte clássica com o que é produzido hoje. Primeiro, porque arte realista praticamente não existe, 90% do que é exposto em museus não seguem a linha figurativa, sem contar que com a elitização das artes o público dos museus reduziu-se basicamente aos lambedores de saco da academia, o afegão médio perdeu o interesse pela beleza ao longo das décadas; segundo, porque as linguagens populares migraram para o audiovisual, onde é quase impossível não ser exposto a algo que não seja sexualizado. E é daí, onde ainda existe conteúdo preocupado com a audiência que vamos tirar as referências para a análise. 

Suponhamos que o pessoal do Leblon esteja certo e que o resultado de uma geração de artistas tradicionais tenha causado danos ao imaginário do homem. A solução para acabar com a exploração de terceiros é fazer com que o indivíduo se torne "dono" de seu corpo.  Segundo eles, ao expor suas genitais por livre e espontânea vontade seria uma resposta ao uso indevido de imagem. Se há nudez na arte clássica, por que não ficar pelado na frente de todo mundo? Todo aspirante a artista quer fazer uma performance rasgando suas roupas e quebrando objetos como se fosse a coisa mais inovadora do século. Aprendemos na universidade que o importante é desconstruir, que pintar paisagens é coisa de gente ultrapassada, que não precisamos de representação figurativa porque as câmeras já cumprem o papel de registrar imagens. 

 É aí que caem do cavalo. Até hoje não consigo entender como os artistas não percebem que eles são nada mais do que marionetes do sistema, que repetem atos que há pelo menos cem anos algum jovem de algum cabaré francês já não tenha feito. Não vêem que apenas contribuem para pessoas que escreveram inúmeros  livros que seria através do choque de valores que a sociedade comeria na mão de poucos homens engravatados. Dizem ser contra o capital, mas são as grandes empresas que patrocinam as campanhas das agendas que eles defendem. Transformaram o intelectual num viciado que passa seus dias na cracolândia, e assim como eles, não se preocupam com nada além do que está no seu cachimbo.

Sempre houveram temáticas polêmicas na história da arte, aliás, em toda produção cultural você encontrará uma obra que narre uma tragédia, uma guerra, um triângulo amoroso, um assassinato, e nem quando o personangem era vítima de uma maldade o artista deixou de lado o talento. O choque de realidade que tanto dizem ser uma inovação também é uma constante dentro dos ateliês, tendo em vista que de tempos em tempos os artistas costumam pintar seus quadros com novas composições, paletas e faturas diferentes. A imagem da mulher sempre foi tema dos pintores, mas diferente de hoje, eram deusas, santas, figuras mitológicas ou alegorias. O nu feminino não rebaixava a imagem de um objeto sexual como é hoje em dia. Na ocasião de se pintar uma mulher no papel de uma prostituta ou em cena de sexo, tratava-se da personagem em questão e não uma generalização de todas elas. Pelo contrário, quantas não foram as moças comuns ou de vida miserável que não posaram para um pintor em troca de algumas moedas e hoje são ícones na história da arte? Qual a possibilidade de hoje acontecer o mesmo com uma jovem favelada sem tem que aparecer de forma humilhante ou sem repetir chavões revolucionários? Se isso é sinônimo de liberdade então eu passo.

Simbologia universal

É da natureza humana que façamos associações entre símbolos do ambiente em que vivemos para se fazer entender no que acreditamos. Não precisa ser um especialista em mitologia para entender que uma figura com asas tem a capacidade de acessar lugares onde o homem comum não chega, como o céu, que pode ser visto como enxergamos ao olhar para o alto ou fazer referência ao lugar onde se encontra Deus. Numa pintura onde há uma mulher nua, pode ser entendida que a beleza da modelo, sua pureza e postura servem como síntese de alguma virtude, de uma estação do ano, da natureza, do amor, da maternidade, ou até mesmo de um pensamento filosófico para aqueles precisam ser alfabetizados através de imagens. Ou seja, é através da beleza da mulher que os artistas fazem as pessoas entenderem o que é o bem. Quando o assunto é o mau acontece o contrário. É o homem que ganha o papel de representar os demônios, é a sua feiúra que dá cara aos defeitos humanos, a sua força que mostra a influência do maligno em nós e o impulso ao erro. A figura masculina, com sua força física naturalmente maior que a feminina, é exemplo de passagens onde o cruel, a persistência, a dor, a guerra e o poder ganham palco. Hoje temos o culto à malandragem, a "justiça social" contra os brancos opressores e a glamourização do crime. Percebem que o que era usado para representar o mal agora é colocado como norma? Ah, mas é como se o artista  do século fosse um ser angelical incapaz de responder às leis do homem, usam da liberdade de expressão como excludente de ilicitude, sem a possibilidade de mostrar que talvez, supostamente, pode ser que em algum momento ele tenha feito merda.

Cada época e região terá sua identidade visual, cada animal e objeto com sua simbologia. Pode ser que você não entenda nada do que vê e apenas ache bonito a forma como foi pintada a tela, mas no final das contas é isso que os artistas buscavam, encontrar a beleza da vida em cada detalhe e tirar uma lição daquilo, seja ele bom ou ruim. O Homo Sapiens esculpia sua vênus com formas avantajadas, pintava cenas de caça e acasalamento, enterrava os mortos com adornos e alimentos, tudo isso para que sua crença no divino fosse alimentada constantemente. O ideal grego fez com que os homens e mulheres fossem perfeitamente por dentro e por fora. Na era cristã, esbanjar músculos e curvas não era a prioridade e por isso vemos figuras cobertas de tecido.  Independente da abordagem escolhida, existia um norte onde os artistas se espelhavam e mesmo os nomes que causaram grandes mudanças na pincelada faziam questão de manter a ordem natural das coisas. O Colosso de Goya, que através da figura de um homem gigante sobre uma multidão expressou os horrores do combate, não causa dúvidas do que o artista quis mostrar. Temos também A liberdade Guiando o Povo, onde Delacroix usou de uma figura feminina com os seios de fora para simbolizar a pátria na revolução de 1830.

Comparando com a imagem da mulher na contemporaneidade, a diferença é estrondosamente maior no que se refere à sexualização da figura feminina. Peitos e bundas são jogados na cara do expectador como símbolo de empoderamento quando na verdade só atiçam o desejo do sexo descartável. Se a Beatiful People quer que a sociedade pare de tratar o ser humano como um produto descartável, então por que dão atenção só ao que nos torna cadelas no cio? Coloque uma pintura clássica de nu feminino na frente de um grupo de pessoas e provavelmente os únicos que vão pensar em algo diferente de contemplar a beleza da obra serão os garotos de dez anos que nunca tiveram a oportunidade de ver aquela cena ao vivo. Caso sinta desejo por uma figura constituída de algodão, pigmentos e óleo de linhaça, sugiro que procure ajuda médica.

A ditadura da minoria

Os artistas formados nas academias e todo o pessoal do audiovisual têm um ranço em aceitar o que a natureza produz. Está na moda o termo "negacionista", mas quem é que realmente nega aquilo que vê? No caso da imagem masculina, há uma mudança que também é nítida. Os símbolos de força foram trocados pela androginia, na estética dos SOYBOYS e entre todas as outras formas que inventam para mostrar que o novo normal é negar sua essência. O aceitável hoje é agir os personagens de "Cena de Interior II", de Adriana Varejão e "Travesti da Lambada e Deusa das Águas", de Bia Leite. Se já não bastasse mexer com adultos, ainda temos que lidar com essa estranha fixação em colocar crianças no meio de temas sexuais.

Contestar uma obra não é uma exclusividade do nosso tempo, a diferença é que hoje, ao apontar o dedo, uma intensa campanha de difamação é iniciada instantaneamente para que ninguém nos leve a sério, partindo sempre daqueles que dizem ser ''a favor da liberdade e do debate''. Se voltarmos ao passado veremos a confusão que foi quando descobriram o método de estudo de Da Vinci para conhecer a anatomia. Caravaggio então nem se fale, quantas de suas pinturas foram aceitas logo de primeira? Um caso famoso é da obra Almoço na relva, pintada por Manet em 1862, que revoltou o público pela naturalidade da cena onde uma mulher nua confraterniza com dois homens de paletó em meio a natureza, além de reclamarem também das frutas que seriam de uma estação diferente da qual estavam naquele dia. 

Parece perseguição, mas insisto em dizer sobre a responsabilidade que o setor cultural tem no molde do homem, em como os artistas contribuem para acreditarmos no que ouvimos ao invés de ver o que os olhos enxergam. Poderia  ficar aqui colocando inúmeros exemplos do porquê a arte vai além do choro da lacrosfera e como podemos nos prevenir de qualquer ataque histérico que venha da parte deles, mas como o intuito do texto é provocar questionamentos entre nós, gostaria de finalizar com a diferença entre a abordagem clássica e a atual, sobre como somos produtos descartáveis, que perdem sua utilidade se querem mostrar algo além das marquinhas de fita isolante e o Whey Protein. Nada melhor do que trazer outra vez as palavras de Roger Scruton ao comparar o que havia no passado e o que temos hoje em mãos:

“Obviamente, há diferenças entre a Odalisca e os seios e bumbuns da seção de Página 3 do The Sun. Uma delas é a diferença geral entre pintura e fotografia: a primeira representa ficções, enquanto a outra apresenta realidades (e isso ainda quando retocada pelo aerógrafo ou por software de edição). O mínimo que se pode dizer é que o bumbum na Página 3 é mostrado tal qual na vida real, sendo interessante precisamente por esse motivo. A segunda diferença tem relação com isso: para apreciarmos o efeito almejado pela pintura de Boucher, não precisamos saber sobre a Odalisca nada mais do que aquilo que a imagem nos revela. O bumbum da Página 3 tem nome e endereço. Muitas vezes, o texto que o acompanha diz muito sobre a própria menina, ajudando ainda mais o leitor a fantasiar o contato sexual. Para muita gente - e com razão, creio -, isso estabelece uma diferença moral decisiva entre a imagem da Página 3 e quadros como o de Boucher. A mulher desta página está sendo condicionada em seus atributos sexuais e exposta para a fantasia de milhares de estranhos. Ela pode não se importar com isso, e aparentemente não o faz; porém, por não estar nem aí, já demonstra o quanto perdeu. Ninguém é degradado pela pintura de Boucher, uma vez que não há ali ninguém real. Muito embora a modelo que a inspirou tivesse nome e sobrenome, aquela mulher é apresentada como uma invenção; apesar de ter sido retirada da vida, ela não é de modo algum idêntica a um ser humano real."

O que penso sobre isso é que a associação feita por Scruton entre a escravidão e a pornografia é tão correta quanto necessária para entendermos em qual estágio nos encontramos. O ser humano virou um pedaço de carne suculenta e os artistas têm se esforçado para promover essa imagem.  O que antes era motivo de inspiração para nos tornarmos pessoas melhores e nos confortamos em imagens belas foi transformado num viagra visual. O que a lacrosfera diz ter acontecido no passado é na verdade promovido por eles a todo momento, e pouco a pouco vemos através das artes a normatização de temas sensíveis a um homem sem vícios. Por fim, responda uma pergunta simples e objetiva, sem levar em conta gostos pessoais, moralismos, religião ou qualquer outro fator que você considere importantes para tomar decisões. 

Se alguém te convidasse para ser a modelo de referência mas só pudesse escolher uma, qual valeria mais a pena: ser uma deusa ou um frango de padaria

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