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Entendi

Ter um servo, não é mais prerrogativa dos nobres. Afinal, vivemos em uma democracia, todos são iguais. 

Nobre leitor, vou contar uma experiência que tive hoje pela manhã, enquanto a senhora que trabalha em minha casa servia meu café, após eu ter chamado a sua atenção por não ter esfregado bem o chão.
 
Ah! esses servos nunca fazem o trabalho direito!
 
Vocês devem estar curiosos, se perguntando. Ora, que desumanidade: O homem que está escrevendo esse texto paga uma pessoa para fazer os serviços de sua casa? É meu estimado leitor, tenho serviçais, assim como muitos de vocês.
 
Sou membro de uma família moderna, em um mundo moderno; ter um servo, não é mais prerrogativa dos nobres. Afinal, vivemos em uma democracia, todos são iguais. Logo, qualquer um pode ter quantos servos desejar, contanto que siga o modelo democrático de servidão, pautado pelas leis trabalhistas. Como advogado, sinto-me impelido a lembrá-los, que sempre houve regras ou leis para o instituto da servidão.
 
Fazendo uma breve análise da história, percebemos que sempre existiu a servidão. Esse instituto parece ter sido muito utilizado, como forma de subjugação de inimigos capturados em guerras tribais, até chegar ao nível de servo da gleba na idade média. Porém, quando os mouros invadiram a península ibérica, escravizaram os Ibéricos derrotados, e a Europa, redescobriu que existem formas mais cruéis de dominação, que a do simples servo da gleba.
 
Com a globalização, através das grandes navegações, da busca das índias, os europeus, já despertos da velha crueldade humana, pelos mouros, descobriram um negócio bem rentável. Perceberam, que os povos tribais do continente africano, ainda tinham o costume de escravizar os inimigos capturados em suas guerras.
 
Pasmem, não teve nada a ver com racismo, até porque Darwin, o inventor da mitologia da Raça, nasceu séculos depois. Ora, os europeus, há pouco escravizados, tiveram a brilhante ideia de lucrar com isso. Afinal, precisavam de mão de obra para trabalhar nas colônias. E assim, começa uma nova fase, com os famosos navios negreiros. Apesar de toda crueldade, é bom lembrar que em todas essas épocas existiram regras ou leis estipulando um limite, um certo controle da libido “dominandi” -desejo de dominar.
Influência Jovem - Ilstração feita por Artigiani com exclusividade para esse artigo.
Ilstração feita por Artigiani com exclusividade para esse artigo.
Por exemplo, no ápice da servidão, em nosso país, a escravidão africana, era regida pelo estatuto dos escravos, e houve várias leis acerca do assunto, até chegarmos à Lei áurea.
 
Hoje, a servidão é mais branda, que o estado mais brando visto no passado, o servo da gleba. Porém, isso não quer dizer que acabou a servidão; na verdade na verdade, ela só está mais acessível e menos cruel, e é regida pela Constituição Federal e pela CLT. Entretanto, assim como no passado, existe uma outra peculiaridade do ser humano, burlar regras e leis.
 
Pois é, caro leitor, parece que Rousseau se equivocou quando criou o mito do bom selvagem. Peço que não se espantem com a minha franqueza; sou assim porque há certo tempo percebi a existência de aspectos inerentes à natureza humana, que perpassam a história, adquirindo apenas a roupagem pertinente ao “progresso” de cada Era. Viva a “Libido dominandi”!!! Afinal, todos somos servos de algum senhor; uns do Estado, outros do patrão, e alguns mais inteligentes, como esse que vos fala, de Deus.
 
Retornemos ao café da manhã preparado pela minha serva. Puxei uma prosa com ela, e disse que tive uma ideia brilhante, que estava escrevendo um livro. Ela caiu na risada, e falou:
 
 - Seu Vítu, o senhozinho vai ficar pobre desse jeito, ninguém lê nada, esses dias mesmo eu vi os livros que o senhô deixou na parada de ônibus, todos jogados no chão, e um mindingo correu pro mato com um livro na mão.
 
Eu de pronto, perguntei:
 
- Será que o pobre homem foi ao mato ler o livro, buscando tranquilidade?
 
Ela caiu na risada:
 
- Deixa de ser besta sinhozinho, ele táva é com caganeira, e usou o livro pra se limpar.
 
E a minha serviçal assumiu um tom de autoridade com ares de Sócrates, aconselhando-me:
 
- Senhozinho, esse negócio de livro só sonce que gosta, ninguém gosta disso naum. Nhonhô, agente não gostamos de ler não, nóis gosta é de festa, comida, e bebida. Nóis sumo preguiçoso, esse negócio dá muito trabalho. Tô falando isso porque gosto do senhor como uma mãe; lembro até hoje quando a senhorinha sua mãe não tinha leite, e eu dava de mamá pro senhozinho. Num faz isso não; se o nhonhô tá precisado de dinheiro, eu pego os ingredientes aqui na conzinha, faço bolo e vou vender pros bacanas da cidade. Só naum esquece de me dar uma parte do ganho.
 
E assim terminou a minha prosa com a criada; cheguei à conclusão que ela entende mais da situação do país, que eu trancado em minha biblioteca estudando os mais belos tratados de metafísica.
 
 
*Os erros de grafia são utilizados como recurso literário para representar a linguagem popular.

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