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Influência Jovem -

O caríssimo leitor pode apresentar mil objeções somente ao ler o título deste artigo. É claro, a atmosfera atual do nosso país trouxe um senso de urgência – muito legítimo, digamos – quanto à participação efetiva das pessoas na política. Mesmo Platão já ensinava que o homem que não participa da política é um ser medíocre. E o grego não tomava a política como mero conceito abstrato, mas como parte efetiva e concreta da vida dos indivíduos da pólis em busca do bem comum. Entretanto, o modo político que defendia Platão residia nas potências mais elevadas da anima (alma), como unidade mesma da razão do zoon politikon. Uma unidade formada pela prática das virtudes e pela caridade entre todos os membros. 

Numa visão meramente materialista, as virtudes e a caridade repousam numa rede de interesses escusos sem fim. Pois se o homem nada pode conceber além das suas estruturas corporais e anímicas, os aspectos acidentais tomam conta do todo supramaterial e nós nos transformamos em meros agentes dos prazeres sensíveis, tornando-os o telos – fim último da existência e de tudo que há. Esta visão, entretanto, é autocontraditória e absurda em si mesma. O ser humano, racional, é o único ser vivo capaz de saber aquilo que sabe e saber aquilo que não sabe. A primeira percepção positiva do saber é um ato imaterial, é a potência da percepção atualizada pelo ato de ser (actus essendi) que possibilita à outra percepção da mudança e do movimento dos entes. Essa experiência que parece-nos simples num primeiro momento é a base, o fundamento mesmo da investigação do ente humano como transcendente

Ao perceber o ato contínuo e positivo da alma, como nos ensinou Mário Ferreira dos Santos em seu Magnum opus, a Filosofia Concreta ao propugnar que alguma coisa há, isto é, que não há um vazio no Ser, iniciamos a belíssima investigação da alma humana e de sua continuidade. A subjetividade alinhada à objetividade mediante a iluminação do Ser. Um campo inteiro de inteligibilidade onde o homem pode conceber a ordem pré-estabelecida, a essência e à substância dos entes criados pelo Ipsum Esse Subsistens (Ser Subsistente Por Si) que é Deus mesmo por participação. Por essas entre outras tantas razões balizadas no estudo da Metafísica, que a política vista somente como a busca dos prazeres dos indivíduos e dos grupos torna-se uma arte podre, corruptível e que hipnotiza a todos por uma falsidade materialista e constante. Torna-se o mundo do engano e da perdição. 

As experiências obtidas pela participação trazem, ao sujeito atento, um certo vislumbre com a imaterialidade e com a eternidade. Nas palavras de Santo Agostinho, o tempo é sempre uma imagem móvel da eternidade. Tudo que possui existência na esfera do Ser nunca voltarão ao não-Ser, pois nunca estiveram nele. Portanto, a substancialidade humana, corpo e alma, são partícipes inescapáveis da imortalidade. A alma como forma substancial onde reside o corpo. 

Não seria minimamente possível, como defendem os materialistas e subjetivistas, que a realidade só pode ser concebida como mera aparência ou como idéia, mas como um composto inseparável dos dois. Uma tensão entre o mundo sensível, físico com o mundo espiritual. A metaxy, como dizia Platão. 

Este senso de participação eleva-nos ao patamar de criaturas dotadas da Gratuidade e da Graça santificante doada pela liberdade divina. Não seria possível inteligir o mundo real sem essa estrutura metafísica. Também é claro que toda esta imensidão aparece ora como alívio e ora como tragédia. Ora como sagrada e ora como profana. Ora como deslumbre e regojizo e ora como angústia e tristeza. As tensões subjetivas e toda a realidade que nos abarca tornam os aspectos narrativos e sociais uma complexidade sem tamanho. E o eu, a personalidade e o caráter, precisam ser moldados nesta tensão constante até o momento chave do Juízo Final. 

A tamanha complexidade das relações sociais torna a busca cega e pueril dos ideólogos pelo paraíso terrestre um ato de fideísmo muito maior do que a fé legítima nos milagres e na Redenção por Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso ter uma fé cega muito maior nos prazeres do transumanismo do que na Presença Real de Nosso Senhor na Eucarístia. Até mesmo se perceber como uma alma eterna é evidentemente mais verossímil do que a busca do mundanismo perfeito mediante alguma ideologia política. 

A percepção do eu em relação ao actus essendi (ato de ser) difere numa escala infinita da pessoa como mera narrativa e como mero ser social como defendia Jean Jacques-Rousseau. As aparências fenomênicas a priori, como também dizia Kant, apenas são possíveis na estrutura da percepção se temos uma relação entre o homem e a coisa-em-si. Algo da coisa e algo daquele que percebe devem ter uma relação concreta ou nada mais pode ser percebido. Portanto, toda espécie de subjetivismo e imanentismo caem por terra quando tomamos todos os entes compostos como sustentados pela continuidade. Em outras palavras, 2+2 já eram 4 antes de qualquer ser humano perceber. Assim como o Daniel Ferraz já era o Daniel Ferraz antes mesmo de eu me conhecer como tal. Com à devida sinceridade, é preciso acreditar em muitas histórias da carochinha para fecharmo-nos no mero mundo das aparências e da sensibilidade cruel como se fôssemos apenas criaturas físico-biológicas. 

É preciso, na medida dos nossos esforços, sem virarmos às costas para a realidade do mundo atual, sabermos que uma alma humana transpassará todo período histórico-narrativo-social. Que, apesar de estarmos na realidade espaço-temporal, nosso fim último, pelas próprias condições básicas apresentadas previamente neste artigo, repousa na Eternidade – pois nunca esteve fora dela em nenhum momento. 

O fato da experiência e da percepção da nossa inteligência (alma) provam de inúmeros modos a nossa imortalidade e o que devemos buscar acima de todas às ilusões e prazeres deste mundo. 

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